terça-feira, 5 de junho de 2012

A Cantiga e o Luar

A noite era de lua cheia e no céu centenas de estrelas estavam a brilhar. ao longe a moça estava a escutar o som da banda, a zabumba, a sanfona, o ganzar, e o povo a cantar. Passou batom vermelho, pôs a flor no cabelo e saiu pra rua, era noite de dançar.

A cidade estava em festa, todos tinham na testa: felicidade aqui é o seu lugar. assim, sem saber por onde começar, a moça saiu a acompanhar um velhinho a mancar, que por sua sorte estava indo pro lado do batuque, e era lá mesmo que ela queria chegar. 

Era uma mistura de xote, xaxado e baião. e no meio da multidão, olhando pro céu, tirando o chapéu, estava o forasteiro, o mesmo da outra estação, num ritmo acelerado, o coração da moça saiu do compasso. naquele momento ela fingiu não o ver. andou dois passos pro lado, pensou no rádio, no estado, no trabalho, na tevê. mas nada do que pensasse tirava a vontade de o forasteiro rever.

E num movimento, quase que ensaiado, dois pares afastados, um moleque danado, uma rodada pra lá, alguém gritou pra cá. pronto. lá estavam os dois a se encarar.

Ele pediu licença, pegou sua mão, lhe chamou a atenção pra música escutar, era algo que dizia: "no passo daqui, no passo de lá", e levou a moça a dançar, ao som do luar, das estrelas a brilhar. e assim ficaram os dois ali, a moça e o forasteiro, na rima da cantiga, parecendo um velho par, até a música acabar, até o sol raiar. 

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