A Moça e o Forasteiro
E lá se foi a moça. flor no cabelo, vestido rodado. arrumou as malas e partiu, esvaziando-se de todos os fardos que noutrora tivera. levou consigo alguns sonhos e cadinhos de seu coração.
Seguiu viagem. outros ares respirar, outras canções cantar. as paisagens lhe faziam pensar. pensar nas coisas que passavam. tudo passava pela moça. tudo passa. de repente, assim como chega chuva de verão, o destino apronta-lhe um causo, sem perder o passo, a moça desvia a atenção. foi um forasteiro, que vinha de longe, d'além. perguntou-lhe 'tudo bem?', despejando um sorriso, que mesmo com todo o tino, tocaram-se os sinos e a moça sorriu também.
E ao longo das estradas, a moça e o forasteiro voltaram a se encontrar. na ciranda, cantiga se fez. fez os dois a dançar,fez deles um par. Noutro tropeço, fez o rio os dois se encarar. das margens opostas, só os olhos puderam falar. e assim, continuaram seguindo o rumo, que cada um tinha que tomar. e de vez em quando, numa curva ou outra tornavam-se a se encarar.
Pouco se sabe de como são feitos os caminhos. uns dizem que é escolha, outros dizem que é destino. seja sorte, sonho ou sina. encontro, desencontro. chegada, partida. da moça em caminhada e do forasteiro em compasso, ninguém sabe a resposta, se esta história de passo e acaso, de caminhos cruzados, é feita de nó, ou é feita de laço.
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