Bandinho em Cor
Quando cheguei em casa, vi que tinha alguns pedaços que antes não faziam parte de mim. notei também, que deixei cair alguns pesinhos por baixo das minhas asas. acho que foi isso, ganhei neste voo ímpar e prematuro algumas penas extras, estas tais, que me fizeram sair do chão algumas vezes. sim, não posso mentir, o vento ajudou. ele ia para a direção que queríamos ir, e lá fomos nós e nossas asas, com a ajuda do vento, flutuar. se toda bagagem que trouxer, vier tão cheia de sonhos e contos; hei de viver a voar, a navegar. talvez o mar fosse rio, o rio fosse mar, não importa muito. o curioso é que ele estava presente naquele lugar, lá onde o sol ia caindo bem de mansinho, deixando sua quentura quase eternizar o véu da noite, noite clara. viva, entregar-se aos sorrisos, aos sabores, as cores. como não viver aquilo que nos pede para ser sentido, apenas sentir, nada mais que isto. e no balanço das asas, das rodas, das saias, das ondas, foram sendo tecidas as mais cintilantes histórias. dois ou três mergulhos no passado, alguns olhos encharcados de saudade, de vontade de sonhar, de eternizar todos, e aquele instante. não me deixe esquecer da lição de voar em bando, essa tal liberdade conjunta que nos fez ser um só, enquanto poderíamos ser apenas mais um. um ninho de carinho. não me peça pra voar sozinho, nunca mais. as penas que carregamos são tão nossas, quanto tão poucas. talvez sozinho não aguente nem uma leve brisa, quiçá um vendaval. em bando não, em bando somos inteiros. inteiros e cheios. cheios de penas coloridas que ganhamos, pintamos e doamos entre nós. lá nosso ninho em cor.
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