domingo, 19 de agosto de 2012

sobre os sentidos


os olhos captam imagens que vão sendo transportadas, decifradas e codificadas dentro da mente. nossa fábrica de filmes caseiros, é só fechá-los e apertar no play da imaginação. é através deles que a alma transborda. os ouvidos não ficam para trás, jogam pra dentro do corpo toda a emoção. do menor ruído ao som da multidão, faz acelerar constantemente o coração. traz na canção as velhas saudades, as novas alegrias, enchem de notas e melodias a vida de alguém. as mãos sabem fazer a sua dança própria, é só encontrar o caminho no qual se perder. elas falam, fazem acontecer a cena, o aceno, o adeus. jogam-se ao outro, recolhem o rosto, seguram outra mão. largam. os cheiros, cheios de imprevistos, são os mais indecisos no quesito precisão. nunca encontro, de fato, um cheiro exato. deve ser mistura de atos, ou um péssimo ofato, mas, me enchem de recordação. algumas delas perdidas na memórias, frescas e suaves lembranças. ou não. mas vem da boca as mais fascinantes reações, a descoberta do desconhecido sabor. ao eleger um quê de tempero pra cada gosto. doce, amargo, ácido ou salgado, deixa a língua descobrir o que é bom. é na boca que ficam guardados os mais sórdidos sussurros, as mais lindas frases de amor. a força da palavra dita, a fronteira do silêncio, a magia do canto, o assobio. dentre todas as coisas que regem os sentidos a boca seria a ousadia, ela sabe fazer um laço em quase tudo o que foi dito. é que quando os olhos mandam a mensagem, os ouvidos captam o sinal, as mãos suam e o cheiro invade a calma é a boca que responde num sorriso.

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