Eu acordei em um céu muito cinza, ainda assim catei minha capa de chuva e encarei o mundo com a mesma cara de sono de todos os dias. Aos poucos meu corpo foi tomando forma e se encheu de dia, ainda que com tudo muito frio lá fora e aqui dentro. Eu acordei com certezas discretas. No coração uma vontade imensa de deixar fluir a vida, mesmo que no pensamento uma vontade acanhada de querer encontrar velhos abraços. Eu sai de casa agradecendo os sonhos que tive, agradecendo a cada dia nublado que sempre me encheram de melancolia, e a cada pôr-do-sol rosado que me levaram para perto do mar. Eu sai um pouco de mim, olhei para os meus vinte e três anos de versos e poesias. Eu calei minhas músicas, eu dei uma pausa em algumas molduras, eu não olhei o relógio. Eu subverti algumas lógicas, e sorri de algumas metáforas que já não faziam mais sentido. Eu estava apenas comigo. (pausa)

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