terça-feira, 20 de novembro de 2012


Manhã Novembrina

(...) Não sei se você lembra, mas não era primavera por aqui, chovia muito, por todos os lados, inclusive por dentro. Foi uma trégua, em meio a tempestade. 

Falando um pouco de tempo, sempre gostei de falar de tempo, sabe? Venho a cada dia dando um valor maior a ele, acredito que seja uma das coisas mais preciosas do mundo, o tempo. Já briguei muito tentando resolver as coisas no seu lugar, ao invés de simplesmente deixá-lo agir. Já tentei me enganar fingindo dominá-lo mais do que cabia na minha própria mão. Já atrasei o relógio, já inventei calendários, já fugi das horas (...) Não li nada nisso nos livros, não peguei de nenhuma música, nenhum poeta me ensinou a da valor ao tempo, isso eu venho aprendendo com a vida, vida nossa, minha e de todo mundo que me rodeia. Uma das coisas que hoje, nesta manhã novembrina, me deixa bastante feliz é saber que o tempo foi muito generoso para nós dois. Ele soube passar, sem nos permitir atropelar nada. Quantas e quantas pessoas não queriam ter a sorte que nós estamos tendo, a sorte de ter tempo. sim, sorte. Ninguém tem a chance de voltar. Tudo o que nos já foi dado, acontecido ou proporcionado é nosso, não existe devolução de nada. O que existe é a chance de seguir. Eu estava no ônibus ante ontem e um homenzinho deu-me um marca páginas de calendário, ah se ele soubesse como o tempo é precioso, senti todo o peso de 2013 nas minhas mãos. (...)

Indagar o ontem e o presente,  uma maneira de ansiar por um amanhã bem vindo. Na certeza dos teus olhos atentos a ler estas (talvez muitas) palavras, sei que hoje temos todo o tempo do mundo, isso é o que estamos construindo de mais precioso, um tempo nosso. 



ps: trecho de uma carta, já entregue ao seu destinatário.

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