Manhã Novembrina
(...) Não sei se você lembra, mas não era primavera por aqui, chovia muito, por todos os lados, inclusive por dentro. Foi uma trégua, em meio a tempestade.
Falando um pouco de tempo, sempre gostei de falar de tempo, sabe? Venho a cada dia dando um valor maior a ele, acredito que seja uma das coisas mais preciosas do mundo, o tempo. Já briguei muito tentando resolver as coisas no seu lugar, ao invés de simplesmente deixá-lo agir. Já tentei me enganar fingindo dominá-lo mais do que cabia na minha própria mão. Já atrasei o relógio, já inventei calendários, já fugi das horas (...) Não li nada nisso nos livros, não peguei de nenhuma música, nenhum poeta me ensinou a da valor ao tempo, isso eu venho aprendendo com a vida, vida nossa, minha e de todo mundo que me rodeia. Uma das coisas que hoje, nesta manhã novembrina, me deixa bastante feliz é saber que o tempo foi muito generoso para nós dois. Ele soube passar, sem nos permitir atropelar nada. Quantas e quantas pessoas não queriam ter a sorte que nós estamos tendo, a sorte de ter tempo. sim, sorte. Ninguém tem a chance de voltar. Tudo o que nos já foi dado, acontecido ou proporcionado é nosso, não existe devolução de nada. O que existe é a chance de seguir. Eu estava no ônibus ante ontem e um homenzinho deu-me um marca páginas de calendário, ah se ele soubesse como o tempo é precioso, senti todo o peso de 2013 nas minhas mãos. (...)
Indagar o ontem e o presente, uma maneira de ansiar por um amanhã bem vindo. Na certeza dos teus olhos atentos a ler estas (talvez muitas) palavras, sei que hoje temos todo o tempo do mundo, isso é o que estamos construindo de mais precioso, um tempo nosso.
ps: trecho de uma carta, já entregue ao seu destinatário.
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